terça-feira, maio 31, 2005

Há dias felizes

Foi o dia mais feliz na vida de Maria do Amparo. Depois te ter contado os vinte e um degraus dos três lanços de escadas que separavam o pequeno patamar da porta de entrada da casa da patroa e a portaria do prédio com quase todas as partes do seu corpo roliço, estava feliz.

A patroa, uma condessa, ficara sentada no sofá da sala a olhar para o quadro do marido que ansiosamente a esperava no inferno. A patroa era surda e não ouvira nada, mesmo que tivesse ouvido, o seu primeiro pensamento iria para as velhas escadas de madeira e não para a sopeira que tinha ido comprar cebolas. Antes uma sopeira amassada que uma escada lascada.

Maria do Amparo estava de quatro com a cara encostada ao soalho frio e com o olhar fixo num par de dentes ensanguentados que pareciam deslocados no chão, já se tinha esquecido das cebolas para o chá da condessa. O chá de casca de cebola é aconselhável para a rouquidão e até para clarear o cabelo, mas a condessa queria-o para limpar as pratas.

Maria do Amparo contava mentalmente todos os seus ossos num estado de semiconsciência que lhe parecia a morte após vinte e um degraus de mogno.
A face antes encarnada cor de sopeira caminhava agora para o negro azulado de uma trovoada de verão. Os glúteos estavam do lado oposto à cabeça orgulhosamente levantados e descobertos pois a saia comprida e a combinação branca tinham caído sobre os costados da pobre.
Estava ela nestes propósitos quando a porta se abriu e ela sentiu uma ligeira corrente de ar nas suas partes, depois de toda a pancadaria nos degraus soube-lhe bem.

O Madaleno estivador, vinha da taberna duas portas ao lado para aliviar a bexiga cuja pressão graças às taças de tinto já tinha ultrapassado o limite do aguentável. Para ele, mijar nas escadas da condessa era um cerimonial semanal, além do sentido político, uma pequena vingança do proletário contra a condessa capitalista, era também melhor porque em vez do balde numa dispensa malcheirosa da taberna tinha um vão de escadas que cheirava aceitavelmente, pelo menos até às suas primeiras três viagens da tarde de sábado.

Madaleno, o estivador, perdeu todas as vontades, ao encarar com as traseiras escancaradas da sopeira da condessa. As carnes fartas e disponíveis misturadas com o vapor do tinto fizeram-no pensar que tinha entrado no ecrã do Olímpia. A sua boca abriu-se tanto que Madaleno quase se esqueceu que era mudo de nascença.
O tempo parou por uns segundos. Depois Madaleno deu uma volta cuidadosamente ao estaminé, o baixar e levantar da saia descansaram-no pois chegara a pensar que estava morta, não que lhe fizesse muita diferença.
Madaleno voltou à posição inicial junto à porta de entrada, e ficou curiosamente alinhado com a situação, curvou-se ligeiramente até ficar com o nariz a menos de um palmo daquele matagal de pêlos negros. Gostou do odor, baixou as calças e ajoelhou-se como fazem as pessoas na missa.

Maria do Amparo sentiu as suas carnes separarem-se À força de algo que nunca houvera sentido antes. O torpor da queda misturado com o despertar a sua jovem sexualidade de sopeira fizeram-na pensar que morrera e estava no céu. Maria do Amparo bendisse durante mais de meia hora todas as novenas e terços que tinha rezado até então e esqueceu-se completamente que escorregara no tapete quando saíra para comprar cebolas para o chá da senhora condessa.

Madaleno acabou o serviço e limpou-se ao avental, e saiu para sempre da vida de Maria do Amparo.

Felismino do Amparo é cauteleiro na baixa de Lisboa, do pai que nunca conheceu herdou apenas a mudez, da mãe herdou o nome e a estória de que era filho de um Anjo, os mesmo Anjo que lhe partira os dentes da frente. Para Felismino a explicação fora sempre mais que suficiente.

quarta-feira, maio 25, 2005

Comédia na praia

Sexta feira 27 de Maio

Bar Kontiki na Praia Grande em Sintra

Projecto KGrilos + Miranda a partir das 23:30

ainda Papa Hóstias...
TV Saloia....

Open Mike!!!! Apareçam!!!
e muita diversão!!!

segunda-feira, maio 23, 2005

Esgotos, Igreja e comédia

Segundo o Correio da Manhã, um terço dos esgotos em Portugal não são tratados...
Finalmente alguém que me consegue explicar de uma forma plausível as causas da programação com que a nossa TV nos brinda.

Não há almoços grátis
No DN João César das Neves, resisti a inserir abominável a seguir ao César...
conta-nos uma maravilhosa parábola de um palhaço, uma espécie de Pedro e o Lobo, mas com outra pinta de intelectualidade, não fosse a fonte Kierkegaard... e o intermediário (num clássico de 1967) Ratzinger...


Diz João que
“Igreja hoje é um enigma”... a Igreja sempre foi um enigma, e o problema não é de hoje, é de sempre.

Depois propõe-nos um pequeno exercício de, imagine-se, imaginação.... onde a ciência é o alvo, e imagina ele que no futuro a ciência sofrerá alguns dos problemas que hoje vitimiza a Igreja...

Passo a citar:
“os infindáveis debates académicos, as dúvidas sobre teorias estabelecidas irão minando a confiança absoluta que temos no conhecimento”

“são todos interesseiros e corruptos, usando a sua actividade só para encher os bolsos”

Realmente já tinha pensado nisso....

Mas a razão deste almoço grátis é só uma, uma ida ao cinema que o deixou com azia...

“Nesse cenário fictício, os habitantes do futuro julgarão que nós, por acreditarmos na ciência, somos parolos ignorantes e boçais, vítimas de superstição. Exactamente como muitos repórteres viram o conclave ou Scott descreve os cristãos medievais

ainda consegue juntar na mesma frase “as cruzadas, Fátima ou o Congresso em Novembro”... brilhante!!

E termina com uma alusão à inquisição com um motivo circense à mistura.

“O mundo, que deitou fogo à Igreja, vê Bento XVI e cada um de nós cristãos como palhaços. E já começa a cheirar o fumo.”

Nada melhor que começar a semana a sorrir.

quinta-feira, maio 19, 2005

Ofensas dão prémios

Dia 3 de Junho no Pavilhão do Bombarralense

(obviamente no Bombarral)

Projecto KGrilos e Carlos Moura
Ganhe dois convites duplos em KGrilos

KGrilos

Sim e Não

Segundo a Lusa o CDS é o partido mais feminino.
Não... pelo menos desde a saída do Paulo Portas
Sim... eles até são comidos pelo Espírito Santo


O Tino de Rans cheira mal dos pés
Não... não é mal é aroma natural
Sim... só quando se descalça


Constituição europeia
Sim... porque sim
Não... porque o Pacheco Pereira disse

KGrilos

segunda-feira, maio 16, 2005

Estórias de cães e de homens I

Martinho Cisterna estava especado no meio da rua, uma calçada portuguesa, branca e preta como ele, fato preto e cara lívida. O pneu que trazia refundido pela camisa terylene, tremia, e o se o seu pneu tremia a situação era grave.
Só se lembrava de o seu pneu (um misto de cozido e doçaria) ter tremido uma vez assim, fora quando estava a comer a sua namorada na escada, mesmo à frente da casa dela, quando o seu futuro sogro entrou no prédio e começou a subir as escadas rapidamente praguejando acossado por uma cólica. Felizmente a natureza obrou o seu curso a meio do primeiro lance de escadas e deu tempo aos noivos para se refugiarem no apartamento.
Para o Rotheveiler, chamado Crunch, o dia até nem estava a correr mal, já tinha cheirado umas quantas cadelas e já tinha almoçado e agora aliviava-se naquele Porche preto.
Cisterna estava hirto, e lembrou-se que nunca conseguira dançar como deve de ser graças a um anquilossamento do hemisfério direito do seu cérebro. Agora também não era a melhor altura, o cão olhava-o de soslaio.
O outro pneu de Marinho Cisterna, aquele que dava uma volta inteira a uma jante de quatro dígitos, pertencia ao seu bólide e aguentava estoicamente a chuveirada amarela que já escorria pela calçada.
Para Martinho só uma coisa superava o pavor de cães, que vinha desde os cinco anos quando aprendeu da pior maneira que a anatomia da boca de um canídeo lhe permite fecha-la com extrema rapidez e que quando isso acontece os dentes ferram com violência o que por lá estiver e dói.
A única coisa que Cisterna mais temia do que os cães era que algo ou alguém, ou porque não um cão, fizesse alguma maldade ao seu Porche, ficava possesso.
Os seus punhos fecharam-se e deu um passo em direcção ao cão, “xou cão”, a voz sai-lhe embargada pelo pavor.
Crunch voltou a cabeça e entreabriu os lábios um fiapo de baba escorreu para a calçada, logo de seguida abriu bem a boca dentição estava completa e brilhante.
Martinho disse “ài”, e deu um passo à retaguarda, a parede disse “pac”, e ele disse “ài” outra vez. Crunch rosnou, e Martinho pensou que nem sequer teria a oportunidade de correr dois metros até ser apanhado, o pneu tremia tanto agora que as tripas se revoltavam.
O cão cheirou o medo e gostou, rosnou ainda mais e preparou-se para trincar aquela massa esponjosa que se tremia colada à parede, na sua memória de cão estava bem viva recordação do dia em que, ainda cachorro, ficara com a pata traseira presa debaixo de um cilindro que pavimentava a rua. Rosnou de novo e arrancou a toda a velocidade.
O padeiro estava atrasado para a última entrega da manhã e o cão partiu-lhe a matrícula da carrinha toda e ainda o farolim do lado direito, disse “caim” e ainda teve tempo passar por debaixo da roda.
Martinho Cisterna do outro lado da rua, lembrou-se do sogro a subir as escadas naquele dia em que ele a sua noiva abanavam o corrimão, e desta vez não teve vontade de rir. O calor aquecia-lhe os fundilhos das calças e a humidade já começava a entrar no sapato esquerdo.
Olhou para o seu carro, o pneu molhado já não tinha importância, a sua preocupação era como é que havia de fazer para não sujar os estofos.

terça-feira, maio 10, 2005

Eu não queria mas....

lá vou ter de falar outra vez no Claudio Ramos, parece que o rapaz quer por a sua freguesia,
Vila Boim, no mapa candidatando-se a presidente da junta...

Não é preciso Claudio... Vila Boim já está no mapa, é a freguesia de onde vêm os paneleiros mais esquisitos de Portugal....

segunda-feira, maio 09, 2005

Projecto KGrilos ao vivo

Mais uma semana de trabalho...


Dia 11 de Maio
Projecto KGrilos + Joao Pires
Bar 5ºElemento... na Póvoa de Santo Adrião

Dia 13 de Maio
Projecto KGrilos + Jaime (O Maior de Rio Maior)
O 2º CD-single dos Papa Hóstias...
Uma apariçao do outro mundo...
e ainda...
poesia popular....

Apareçam!!!

terça-feira, maio 03, 2005

Sexo....

O lesbianismo acabou...

Na Baracha a Alexandra saiu...e deixamos de ter aquelas cenas em que a Arlinda fodia a Alexandra e vice versa...



mas na TV a pedofilia mental continua...
Menos que Zero, mini Batanetes e Mini Malucos do riso...
tudo digno de um julgamento tipo casa pia.....

poupem-me por favor

segunda-feira, maio 02, 2005

Mascotes ideais…

Muito se fala de mascotes, uns têm cães, outros gatos, outros ainda tartarugas e peixes vermelhos, há até quem tenha, imaginem, canários e até mulheres com buço.
Mas o mundo das mascotes não se esgota numa ida à loja de animais, aliás o cheiro da ração para cães, o borbulhar da água nos aquários e a passarada toda a cumprir pena parece uma mistura de vale de Judeus e MacDonalds.

Há mascotes que o são e nos passam ao lado, e até mesmo quem jura a pés juntos que nunca teve uma mascote na vida, mente com os dentes que tiver (esta afirmação também se aplica aos usuários de placa).
Depois de uma aturada pesquisa elaborei uma pequena lista de mascotes que todos nós temos ou já tivemos, provavelmente não lhes demos a devida importância. Por favor mais atenção da próxima vez.


O mosquito que entra no olho.
É das mascotes que mais nos emociona, talvez pelo facto das asas se colarem com facilidade à íris, ou de ser uma situação em que o lacrimejar é a solução mais prática.


A vaca da namorada de um amigo nosso.
Já aconteceu a muito rapaz decente, ser confrontado com os dedos do pé descalço da namorada do melhor amigo a tocar a Mazurca em dó sustenido menor de Chopin no meio das nossas pernas, por debaixo da mesa, durante um jantar de aniversário.


O porco do namorado da nossa melhor amiga.
Já aconteceu a todas as mulheres, (mesmo até às atrás referidas, as do buço)depararem-se com o porco do namorado da melhor amiga, a roçar a perna ou a observar as partes baixas e as mamas com um olhar impregnado de luxuria e javardice.


O ácaro coxo que dorme connosco.
(a existência de uma notória deficiência física nesta ultima espécie é lógica e deve-se ao facto de os portugueses não terem um sono descansado)
Quem nunca ao voltar-se na cama durante o sono terá esmagado milhares destas pobres criaturas, sem falar naquelas que morrem por afogamento durante os sonhos húmidos e as babadelas na almofada.



O urso do nosso chefe.
Não é uma mascote de que gostemos particularmente, é mais uma cruz, desde anedotas sem graça, a ataques de liderança temos que suportar de tudo um pouco, para casos críticos sugere-se o uso de laxante no café para o reduzir à sua essência.


O eterno macaco.
Mascote muito comum, com a sua época alta no Inverno, é das mais maltratadas; enrolada, esmagada, colada debaixo das mesas e por vezes deglutida de tudo um pouco acontece a este pobre bicho.


A formiga colada na sola do sapato.
Pode ser uma relação breve e fugaz, talvez até só entre duas passadas, mas é sem duvida uma relação de uma intensidade esmagadora, pelo menos para a formiga.


Quando alguma criancinha, pequena ou grande vos disser pesarosamente que nunca teve uma mascote, depois da pedagógica chapada da ordem, relembrem-lhe gentilmente todas as mascotes atrás referidas.

domingo, maio 01, 2005

KGrilos na imprensa

Depois de uma jornalista se ter disposto a pagar algumas imperiais numa esplanada resolveu fazer isto....

leia aqui

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